CASO KÁTIA VARGAS: Termina primeiro dia de julgamento, marcado por emoção e debatesR

Publicado em 06/12/2017 às 09:36h

Choro, debates, emoção. Esses foram alguns dos elementos que marcaram o primeiro dia de julgamento da médica oftalmologista Kátia Vargas, acusada de assassinar os irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes no trânsito de Salvador em 2013. A sessão começou no início da manhã desta terça-feira (5/12) e foi encerrada por volta das 21h30.

Aratu Online trouxe, durante todo o dia, os principais detalhes que aconteciam dentro do tribunal. Sob os olhos dos repórteres Dinaldo dos Santos e Cris Almeida, os internautas não perderam nenhum detalhe e acompanharam tudo em tempo real pelo Twitter ou por uma reportagem que incorporava os textos do microblog.

Julgamento foi acompanhado em tempo real pelo Aratu Online. Foto: arte

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Logo nas primeiras horas da manhã, as centenas de pessoas credenciadas (entre elas muitos estudantes de direito) já esperavam para entrar no Fórum Ruy Barbosa. Passava das 9h quando todos foram revistados pela Polícia Militar e a juíza Gelzi Almeida começou a sessão sorteando os sete jurados que decidem o futuro de Kátia.

ACUSAÇÃO 

Já era meio da manhã quando a primeira testemunha, Álvaro Lima, começou a dar seu depoimento. O homem caminhava pela calçada da Avenida Oceânica naquele dia e afirmou ter visto Emanuel bater com a mão na lateral do veículo dirigido pela médica. Em seguida, confirmou Lima, a acusada teria acelerado o carro em direção à moto.

As outras testemunhas de acusação seguiram, basicamente, o fato narrado pela primeira. Maria Antônia Souza informou que viu gesticulações entre Kátia Vargas e Emanuel momentos antes de a colisão acontecer.

Já Arivaldo Lima, que também presenciou toda a ação quando estava em seu veículo, lembrou que viu o automóvel dirigido por Kátia Vargas passar em alta velocidade perseguindo a motocicleta onde as duas vítimas estavam.

Durante o terceiro depoimento, o Ministério Público e o advogado de acusação, Daniel Keller, mostraram fotos tiradas momentos depois da batida. A mãe das vítimas, Marinúbia Gomes, saiu do plenário chorando bastante. Pouco tempo depois foi decretado o intervalo de aproximadamente 40 minutos para o almoço.

Todos que prestaram depoimento ficaram de frente com a juíza. Foto: ilustrativa/Dinaldo dos Santos

O julgamento continuou já pela tarde e começou com o depoimento das outras duas testemunhas. Denilson Silva trabalhava em um hotel perto de onde tudo aconteceu e atestou ter visto o carro emparelhando com a moto. “Mãe, eu presenciei um assassinato hoje”, disse, ao responder a primeira coisa que fez após ver as vítimas.

A última pessoa a ser ouvida como acusação foi o jornalista Felipe Martins. O homem relatou que o barulho do motor do veículo de Kátia chamou sua atenção. Ele só prestou depoimento à Polícia Civil três dias depois da situação. Questionado pela defesa como jornalistas conseguiram seu contato à época, ele não soube responder.

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DEFESA

O perito aposentado Albery Espíndola, contratado por Kátia Vargas, foi o primeiro a depor a favor da ré. Durante seu discurso, ele apontou defeitos que teriam sido cometidos por agentes do Departamento de Polícia Técnica da Bahia (DPT). “Já tá errado essas imagens [da reconstituição] por não retratarem a Emanuelle”, disparou.

“Não usaram uma moto intacta na reconstituição. Usaram a mesma moto do acidente, já danificada, é isso não é correto”, continuou Albery. Questionado pelo promotor Davi Gallo sobre o motivo de ter sido contratado, o profissional alertou que não foi chamado “para dar parecer técnico”.

A segunda testemunha de defesa foi a amiga da acusada, Ana Teresa. “Kátia sempre foi uma pessoa doce, uma mãe presente. Extremamente tranquila e prestativa”, argumentou. A mulher é conhecida da médica há 10 anos e professora da filha da oftalmologista. Kátia também chegou a fazer aula de dança com Ana.

“No dia do acidente eu a vi, ela foi fazer minha aula porque teríamos uma apresentação em dezembro. Estávamos em um momento saudável. Naquele dia ela estava muito alegre e tranquila”, relembrou Ana. A terceira a prestar depoimento também é conhecida da ré e seguiu o mesmo discurso da testemunha anterior.

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Todas as testemunhas de defesa conhecem Kátia. Foto: arte/Aratu Online

Já o quarto a falar a favor da acusada foi Edmilton Pedreira, pai de um paciente de Kátia. “Ela nunca nos cobrou um centavo, acompanhou meu filho por muito tempo. Fico muito feliz do meu filho ter encontrado ela, pra que meu filho não tivesse o mesmo problema que eu. Ela sempre colocou a melhor lente no meu filho. Tudo de graça”, desabafou.

A quinta e última pessoa a ser ouvida no primeiro dia de julgamento foi Carina Caldeira. “Até hoje, uma vez no mês ela atende as crianças carentes no consultório dela”, disse antes de o júri ser encerrado.

IMPRESSÕES 

Durante entrevista, defesa e acusação deram seus pareceres sobre o primeiro dia de julgamento. “A estratégia da defesa é mostrar, de maneira clara, que não ocorreu homicídio doloso. Quem falam isso são as provas dos autos, não é uma oratória da defesa, que está absolutamente tranquila”, frisou o advogado da ré, José Luiz de Oliveira.

“O que nos chamou atenção foi que, mesmo depois de quatro anos, todas as testemunhas ratificaram e disseram a mesma coisa que falaram há quatro anos atrás. Ou seja, o julgamento caminha para uma condenação. Não vejo outra alternativa. Claro que dependerá dos jurados. O que esperamos é Justiça”, reverberou o promotor Davi Gallo.

Para o advogado das vítimas, a certeza é de uma condenação. “”As testemunhas de acusação foram ouvidas hoje mais cedo e confirmaram tudo aquilo que já foi dito por elas desde o início deste fato. São três pontos fundamentais desse processo: a discussão, a perseguição e o impacto da moto. Todos esses pontos foram confirmados hoje, o que está presente no laudo do Departamento de Polícia”, salientou Daniel Keller.

No segundo dia de julgamento, nesta quarta-feira (6/12), tudo será também acompanhado em tempo real pelo Twitter do Aratu Online e em reportagens no portal.

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